Escrevivência como metodologia feminista

estratégias de fuga e imaginação radical na cultura jurídica

Autores

DOI:

https://doi.org/10.18316/redes.v13i2.12671

Palavras-chave:

escrevivência, metodologias feministas, epistemologias negras, cultura jurídica, direito e relações raciais

Resumo

Este artigo propõe a escrevivência, conceito forjado por Conceição Evaristo, como metodologia crítica de pesquisa no campo jurídico, a partir das epistemologias feministas negras e amefricanas. Entendida como prática de escrita que articula memória, corpo, oralidade e ancestralidade, a escrevivência é apresentada como estratégia de fuga da gramática colonial, racista e patriarcal que historicamente estrutura o direito brasileiro. Analisando o direito como cartografia da dominação, o texto reivindica uma travessia metodológica capaz de desvelar as fraturas e invisibilizações encobertas pela normatividade jurídica. Em diálogo com a produção de juristas negras como Eunice Prudente, Dora Bertúlio, Ana Flauzina e Thula Pires, discute-se o pioneirismo e a construção de legados de liberdade que constituem uma escrevivência jurídica coletiva. A escrevivência é defendida tanto como processo quanto como produto: prática de reinvenção de mundos possíveis a partir da escrita de nossas memórias, práticas, gestos, toda forma de testemunho de nossas rotas de fuga e imaginação radical. Ao tensionar a cultura jurídica hegemônica, a escrevivência inaugura epistemologias insurgentes comprometidas com a memória, a vida e a invenção de futuros.

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Publicado

2026-03-06

Edição

Seção

Dossiê