Registros que produzem
políticas de gênero, operações policiais e a guerra urbana em documentos judiciais
DOI:
https://doi.org/10.18316/redes.v13i2.12616Palavras-chave:
análise de documentos, sistema de justiça criminal, colonialismo jurídico, teoria das vozes, operações policiaisResumo
Nesse artigo, busco explorar algumas das questões que o trabalho qualitativo com ações judiciais apresenta, analisando os limites e as possibilidades desses documentos para a compreensão das dimensões racializadas e generificadas que perfazem o “colonialismo jurídico” e a sua relação com a gestão do controle de corpos e territórios no país. Faço isso através de revisão bibliográfica, mas assumo como ponto de partida minha trajetória de investigação empírica no campo das pesquisas sobre violência urbana. Procuro contribuir com a compreensão das formas de produção da verdade jurídica assimiláveis, entendendo que registros não só “contam”, como “produzem” realidades conectadas a complexos arranjos de poder. Em um primeiro momento, apresento as particularidades da metodologia da análise de documentos, refletindo sobre como pode ser mobilizada considerando a relação entre discursos e práticas que, entranhadas burocraticamente, têm produzido a rotineirização da violência. Depois, analiso como estratégias teórico-metodológicas que propõem “seguir os papéis” e pensar sobre os “fluxos processuais” podem desvelar a cadeia de relações institucionais representadas. Reflito, também, sobre formas através das quais epistemologias decoloniais e feministas podem ser lentes de análise das narrativas documentadas e documentáveis que encontramos em registros judiciais. Por fim, mobilizo essas ferramentas para explorar as contingências que costumam ser apresentadas no contexto do processamento de conflitos envolvendo operações policiais. Essas questões mapeiam alguns dos modos como o sistema de justiça tem se empenhado no apagamento de vidas nas favelas, a despeito das rasuras que a luta constante, de familiares, insiste em ressoar.
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